Trabalho apresentado à disciplina “Freud como teórico da modernidade bloqueada”, ministrada na modalidade EAD em setembro de 2010 pelo professor Dr. Vladimir Safatle.
Aluna: Daiana Stursa
Link para o trabalho: http://www.4shared.com/document/lfM0X5Dw/Trabalho_CasoFritzl1.html
Somos um grupo de Pós-graduação em Filosofia e Psicanálise do Núcleo de Ensino a Distância da Universidade Federal do Espírito Santo, localizado no Pólo Vila Velha. Daiana - psicóloga; Douglas - fisioterapeuta; Doriany - assistente social; Melissa - assistente social; Diemerson - filósofo e psicólogo; Sepe - diretor escolar; Alessandro - professor de sociologia; Sara - socióloga e professora e nossa tutora, Izabel - psicóloga e professora.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O ANTI-SEMITISMO, A CONVICÇÃO TEÓRICA RELIGIOSA E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS
O ANTI-SEMITISMO, A CONVICÇÃO TEÓRICA RELIGIOSA E SUAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS
Francisco Sepe da Costa
RESUMO
O anti-semitismo está vinculado à convicção religiosa do povo judeu implicando situações antagonistas no ambiente social, político e econômico.
PALVRAS-CHAVE
Anti-semitismo, convicção religiosa, procrastinação
INTRODUÇÃO
O tratamento que o mundo dá ao anti-semitismo expõe a imobilidade da sociedade mundial em solucionar qualquer tipo de segregação. Imobilidade que gera conflitos e oportunidade de atuação de inescrupulosos.
DESENVOLVIMENTO
O anti-semitismo foi escolhido por ser um fator social, que vem desde a antiguidade, quando o povo judeu, recebendo os ensinamentos de Moises, ficaram convictos religiosamente da sua eleição por Deus com o conseqüente aparecimento de um sentimento exaltado de superioridade a outros povos, relacionado ainda com seus ritos particulares, como a circuncisão e a terra prometida, fatores de geração de conflitos político, social e econômico até os dias atuais.
A convicção religiosa dos judeus é uma teoria que não pode ser confirmada, porém é internalizada como convicção devido ao bem estar deste sentimento exaltado por ser um povo escolhido e o prazer de imaginar que terão uma terra prometida por Deus a Abraão. Convicção religiosa, que talvez seja o sentimento oceânico, refutado por Freud, expresso por seu amigo no texto o mal-estar na civilização .
Posso imaginar que o sentimento oceânico se tenha vinculado à religião posteriormente. A “unidade com o universo”, que constitui seu conteúdo ideacional, soa como uma primeira tentativa de consolação religiosa, como se configurasse uma outra maneira de rejeitar o perigo que o ego reconhece a ameaçá-lo a partir do mundo externo. Permitam admitir mais uma vez que para mim é muito difícil trabalhar com essas quantidades quase intangíveis .
Como disse o professor Vladimir, no que diz respeito à análise do político, esta perspectiva freudiana nos exige deslocarmos o foco da análise, das regras que pretensamente estruturam a vida social às fantasias que realmente sustentam tais regras. Isto talvez nos explique porque temos tanta dificuldade em explicar como, no interior de nossas sociedades democráticas liberais, encontramos a recorrência contínua de figuras de autoridade e liderança que parecem se alimentar de fantasias arcaicas de segurança, proteção e de medo (a lista atual é longa e passa pela instrumentalização política da islamofobia, do anti-semitismo e do medo do terrorismo) .
A sensação de proteção e segurança desta convicção religiosa do povo judeu, ainda que teórica, provoca ações reações sociais, políticas, econômicas, nacionais, além da religiosa, no povo judeu e nos outros povos que interagem com ele de maneira direta ou indireta, promovendo uma ambivalência de amar e odiar os judeus. No ódio há a hostilidade aos judeus que é o anti-semitismo.
A principal característica da constelação psicológica que dessa forma se torna fixa é algo que poderia ser descrito como a atitude ambivalente do sujeito para com um objeto determinado, ou melhor, para com um ato em conexão com esse objeto. Ele deseja constantemente realizar esse ato (o tocar) e também o detesta .
Nesta convicção religiosa os judeus se isolaram nas suas convicções e adquiriram a antipatia gratuita de outros povos. Outros povos que a exemplo dos mulçumanos têm a mesma convicção teórica religiosa, descendendo do elo comum chamado Abraão, cuja descendência, Ismael e Isaque, figuras que viveram na antiga região da Palestina, deram origem aos povos distintos, judeus e árabes.
Convictos religiosamente: os judeus com Jeová e os árabes com Alá.
Após Abraão, Moises estabelece a religião monoteísta, o ritual da circuncisão, a proibição de fazer imagem de Jeová, tudo isto, inserido na certeza de ser o povo escolhido por Deus e a segurança de habitar na terra prometida por Deus a Abraão, cria uma convicção religiosa de maneira teórica que leva o povo a uma auto estima muito elevada, e um sentimento superior a outros povos, no encantamento de serem o povo escolhido.
Esta convicção cria um fato social não só para os judeus, bem como para os outros povos em sua convivência com os judeus, quer sejam vizinhos, quer como inseridos na sociedade de outros povos como estrangeiros.
Este fato social remota a antiguidade dos tempos bíblicos, nas guerras, pela conquista da terra prometida por Deus a Abraão; empreendidas principalmente pelo rei Davi, passa pela era medieval, na relação com as instituições religiosas, no século XX pelo sistema nazista e no século XXI, como escudeiro dos Estados Unidos da América no Oriente Médio, desde a implantação do estado de Israel, na região da palestina, por uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948.
O estabelecimento de Israel no lugar, que estão convictos que é a terra prometida por Deus a Abraão, implicou em insatisfação dos povos que também ocupavam a chamada Palestina, evidenciando o anti-semitismo.
Esse fato se torna especialmente claro quanto o Destino é encarado segundo o sentido estritamente religioso de nada mais ser do que uma expressão da Vontade Divina. O povo de Israel acreditava ser o filho de Deus e, quando o grande Pai fez com que infortúnios cada vez maiores desabassem sobre seu povo, jamais a crença em Seu relacionamento com eles se abalou, nem o Seu poder ou justiça foi posto em dúvida. Pelo contrario, foi então que surgiram os profetas, que apontaram a pecaminosidade desse povo, e, de seu sentimento de culpa, criaram-se os mandamentos superestritos de sua religião sacerdotal .
Todavia, este estabelecimento tem permitido a conversação entre os moradores desta região, o Oriente Médio, em busca de paz e talvez a diminuição do sentimento anti-semitismo ou outro sentimento de hostilidade.
O estabelecimento do povo judeu na antiga Palestina, banhada pelo mar Mediterrâneo, foi realizada por muitas lutas e guerras aos povos que já estavam ocupando o local, mas a sua convicção religiosa o levava a agir com a certeza de estar fazendo a coisa correta.
O retorno dos judeus em 1948 relembra a chegada dos judeus a palestina na época mosaica também com guerras e expulsões dos povos que ali habitavam. Vencidos os povos, o sistema sócio-político passou de juizes para o reinado, elegendo o primeiro rei chamado Saul.
Israel era o nome do filho de Isaque, filho de Abraão, que se chamava Jacó. O nome de Jacó foi mudado para Israel quando numa visão na qual Jacó lutava com um anjo e este mudou o seu nome para Israel, numa escada que subia ao céu, segundo o relato bíblico.
No reinado de Davi, Israel conquistou toda a terra limitada pela promessa da terra prometida por Deus a Abraão. Seu filho Salomão, por falta de governabilidade política, permitiu a divisão de Israel em dois reinos, norte e sul, porém, promoveu um grande desenvolvimento social e econômico, tendo como referencial, o templo de Salomão. Com a construção do templo de Salomão foi possível concretizar a convicção religiosa do povo judeu nos seus ritos, cultos, festas e cerimônias mosaicas.
Os judeus mantêm ainda hoje toda esta tradição, porém numa forma diferenciada de comemorar, pois não existe mais o templo construído por Salomão, somente as ruínas das muralhas do templo como testemunhas deste período suntuoso do reinado de Salomão e que mantém aceso o ideal de reconstruí-lo no mesmo local primitivo, principalmente por parte dos judeus ortodoxos.
Do reinado de Salomão, com o enfraquecimento devido à divisão em dois reinos, Israel foi invadido pelos babilônicos os quais destruíram o símbolo da convicção religiosa, o templo de Salomão, promovendo assim a diáspora, que é a fuga dos judeus para diversos lugares do mundo, mantendo a sua convicção religiosa por longos anos e o propósito de retornar a terra prometida.
Os judeus estabeleceram o hebraico, como língua oficial de Israel, para poderem ler as ordenanças mosaicas no texto original despertados por esta convicção religiosa e sua tradição.
A análise do anti-semitismo, neste ambiente teórico, objetivando levantar hipóteses, proporá a seguinte metáfora, elaborada por mim: Que todos nascem pedra com quinas. O bebê pedra, por instinto, nasce rolando, e rolando, aparará as arestas das quinas. Então, este instinto de rolar, que traz prazer e dor ao mesmo tempo, será uma atividade, também, das pedras adultas, até atingir a forma redonda. Assim, mantendo a cultura do rolamento iniciada no primeiro bebê pedra.
O prazer seria por rolar e ficar livres das quinas e, a dor seria, pela retirada das arestas das quinas, ao rolar. No rolamento, a pedra seria aplanada e arredondada. O rolamento acontecerá em terrenos diferentes, áspero ou liso, ondulado ou plano.
Assim, alguma pedra, devido ao tipo do terreno em que nasceu e ao tempo de rolamento, ficaria achatada, outra, conforme a sua “sorte” ou “destino” e o tipo de terreno e ao tempo de rolamento, ficaria arredondada.
O ficar com menos quinas e mais redonda é o ideal a ser perseguido, e será, o que determinará a relação social entre as pedras. Quanto mais redonda, maior a liderança e a interação social. Com a forma totalmente redonda, as pedras poderiam rolar livremente, agora sem dor, só com o prazer de rolar, se isto for possível.
Freud agia como quem acredita que a integralidade dos processos de interação social sempre se reporta a um princípio único e soberano de poder .
Algumas pedras não rolariam, com receio do tipo de terreno, apesar do seu instinto instigá-las a rolar, nas permanecem inativas, oprimidas, inibidas e desencantadas, podendo haver outros tipos de receios.
Dessa metáfora, talvez, desenvolver-se-ia uma teoria psicanalítica.
E pensando assim, há muito a considerar nessa teoria psicanalítica, tais como, os tipos de pedras com sua dureza, tenacidade e formação geológica; e as características dos terrenos: úmidos, secos, planície, planaltos, vales, rios, mares, pelos quais, as pedras rolariam.
Talvez seja interessante fazer uma análise do comportamento das pedras no rolamento e durante as perdas das quinas e arestas em relação às variações do tempo e espaço.
A análise do comportamento das pedras no rolamento e durante as perdas das quinas e arestas em relação às variações do tempo e espaço será feita considerando a pedra como o anti-semitismo, assim como poderíamos considerar qualquer atitude de hostilidade a qualquer etnia, crença, cultura ou minoria.
Dessa forma, a análise passa pelo o tratamento que é dado não só ao anti-semitismo, mas também a outros tipos de atitude que queira segregar uma minoria.
O tempo e o espaço, com suas variações, permitem aferir, quando as arestas e quinas são aparadas. Nessa perspectiva, o tempo, com a seu passar e “paciência”, é capaz de promover mudanças sociais inimagináveis, e o espaço, com seus acontecimentos, é capaz de moldar em relação à outra, a mais rígida convicção.
O terreno onde a pedra vai rolar seria o mundo moderno e globalizado.
As quinas e arestas, que se aventavam para justificar a hostilidade, eram na idade média, a religiosa e na época do nazismo no século XX, uma pretensa doutrina científica, todas aparadas nas alterações sociais no tempo e no espaço.
Talvez, por hipótese, seja interessante neste rolamento, verificar as quinas e arestas das pedras do interesse econômico, político e social da relação dos judeus e palestinos no Oriente Médio.
Possivelmente, outras hipóteses, a pedra burca francesa como também as pedras africanas que, talvez hesitem em rolar, não com receio do tipo terreno de rolamento, mas por não terem nem mesmo o terreno onde rolarem pela falta de interesse que possibilite que estas pedras se arredondem.
Em todas estas hipóteses, o ponto comum é a procrastinação. A procrastinação crônica pode ser um sinal de alguma desordem psicológica ou fisiológica .
Penso que pode ser o sintoma do terreno considerado nesta metáfora.
Talvez, após o rolamento, agora, redondas, as pedras estejam mais livres para rolar, objetivando uma melhor socialização, perscrutando qual o limiar das convivências pacificas e do bem estar social.
Parafraseando o poeta Fernando Pessoa, o lema das pedras será: “rolar é preciso, durar não é preciso”.
CONCLUSÃO
Qualquer tipo de segregação é inadmissível. Aquele que segrega e os que são segregados devem promover soluções no campo social, político e econômico perscrutando qual o limiar das convivências pacíficas e do bem estar social.
REFERÊNCIAS
SAFATLE, Vladimir. Freud como teórico da modernização bloqueada. 2010.
_______________. A psicologia das massas: regras e fantasias. 2010.
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e a análise do eu. 1921.
______________. O mal-estar na civilização. 1929.
______________. Totem e tabu. 1913.
A Bíblia.
Francisco Sepe da Costa
RESUMO
O anti-semitismo está vinculado à convicção religiosa do povo judeu implicando situações antagonistas no ambiente social, político e econômico.
PALVRAS-CHAVE
Anti-semitismo, convicção religiosa, procrastinação
INTRODUÇÃO
O tratamento que o mundo dá ao anti-semitismo expõe a imobilidade da sociedade mundial em solucionar qualquer tipo de segregação. Imobilidade que gera conflitos e oportunidade de atuação de inescrupulosos.
DESENVOLVIMENTO
O anti-semitismo foi escolhido por ser um fator social, que vem desde a antiguidade, quando o povo judeu, recebendo os ensinamentos de Moises, ficaram convictos religiosamente da sua eleição por Deus com o conseqüente aparecimento de um sentimento exaltado de superioridade a outros povos, relacionado ainda com seus ritos particulares, como a circuncisão e a terra prometida, fatores de geração de conflitos político, social e econômico até os dias atuais.
A convicção religiosa dos judeus é uma teoria que não pode ser confirmada, porém é internalizada como convicção devido ao bem estar deste sentimento exaltado por ser um povo escolhido e o prazer de imaginar que terão uma terra prometida por Deus a Abraão. Convicção religiosa, que talvez seja o sentimento oceânico, refutado por Freud, expresso por seu amigo no texto o mal-estar na civilização .
Posso imaginar que o sentimento oceânico se tenha vinculado à religião posteriormente. A “unidade com o universo”, que constitui seu conteúdo ideacional, soa como uma primeira tentativa de consolação religiosa, como se configurasse uma outra maneira de rejeitar o perigo que o ego reconhece a ameaçá-lo a partir do mundo externo. Permitam admitir mais uma vez que para mim é muito difícil trabalhar com essas quantidades quase intangíveis .
Como disse o professor Vladimir, no que diz respeito à análise do político, esta perspectiva freudiana nos exige deslocarmos o foco da análise, das regras que pretensamente estruturam a vida social às fantasias que realmente sustentam tais regras. Isto talvez nos explique porque temos tanta dificuldade em explicar como, no interior de nossas sociedades democráticas liberais, encontramos a recorrência contínua de figuras de autoridade e liderança que parecem se alimentar de fantasias arcaicas de segurança, proteção e de medo (a lista atual é longa e passa pela instrumentalização política da islamofobia, do anti-semitismo e do medo do terrorismo) .
A sensação de proteção e segurança desta convicção religiosa do povo judeu, ainda que teórica, provoca ações reações sociais, políticas, econômicas, nacionais, além da religiosa, no povo judeu e nos outros povos que interagem com ele de maneira direta ou indireta, promovendo uma ambivalência de amar e odiar os judeus. No ódio há a hostilidade aos judeus que é o anti-semitismo.
A principal característica da constelação psicológica que dessa forma se torna fixa é algo que poderia ser descrito como a atitude ambivalente do sujeito para com um objeto determinado, ou melhor, para com um ato em conexão com esse objeto. Ele deseja constantemente realizar esse ato (o tocar) e também o detesta .
Nesta convicção religiosa os judeus se isolaram nas suas convicções e adquiriram a antipatia gratuita de outros povos. Outros povos que a exemplo dos mulçumanos têm a mesma convicção teórica religiosa, descendendo do elo comum chamado Abraão, cuja descendência, Ismael e Isaque, figuras que viveram na antiga região da Palestina, deram origem aos povos distintos, judeus e árabes.
Convictos religiosamente: os judeus com Jeová e os árabes com Alá.
Após Abraão, Moises estabelece a religião monoteísta, o ritual da circuncisão, a proibição de fazer imagem de Jeová, tudo isto, inserido na certeza de ser o povo escolhido por Deus e a segurança de habitar na terra prometida por Deus a Abraão, cria uma convicção religiosa de maneira teórica que leva o povo a uma auto estima muito elevada, e um sentimento superior a outros povos, no encantamento de serem o povo escolhido.
Esta convicção cria um fato social não só para os judeus, bem como para os outros povos em sua convivência com os judeus, quer sejam vizinhos, quer como inseridos na sociedade de outros povos como estrangeiros.
Este fato social remota a antiguidade dos tempos bíblicos, nas guerras, pela conquista da terra prometida por Deus a Abraão; empreendidas principalmente pelo rei Davi, passa pela era medieval, na relação com as instituições religiosas, no século XX pelo sistema nazista e no século XXI, como escudeiro dos Estados Unidos da América no Oriente Médio, desde a implantação do estado de Israel, na região da palestina, por uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948.
O estabelecimento de Israel no lugar, que estão convictos que é a terra prometida por Deus a Abraão, implicou em insatisfação dos povos que também ocupavam a chamada Palestina, evidenciando o anti-semitismo.
Esse fato se torna especialmente claro quanto o Destino é encarado segundo o sentido estritamente religioso de nada mais ser do que uma expressão da Vontade Divina. O povo de Israel acreditava ser o filho de Deus e, quando o grande Pai fez com que infortúnios cada vez maiores desabassem sobre seu povo, jamais a crença em Seu relacionamento com eles se abalou, nem o Seu poder ou justiça foi posto em dúvida. Pelo contrario, foi então que surgiram os profetas, que apontaram a pecaminosidade desse povo, e, de seu sentimento de culpa, criaram-se os mandamentos superestritos de sua religião sacerdotal .
Todavia, este estabelecimento tem permitido a conversação entre os moradores desta região, o Oriente Médio, em busca de paz e talvez a diminuição do sentimento anti-semitismo ou outro sentimento de hostilidade.
O estabelecimento do povo judeu na antiga Palestina, banhada pelo mar Mediterrâneo, foi realizada por muitas lutas e guerras aos povos que já estavam ocupando o local, mas a sua convicção religiosa o levava a agir com a certeza de estar fazendo a coisa correta.
O retorno dos judeus em 1948 relembra a chegada dos judeus a palestina na época mosaica também com guerras e expulsões dos povos que ali habitavam. Vencidos os povos, o sistema sócio-político passou de juizes para o reinado, elegendo o primeiro rei chamado Saul.
Israel era o nome do filho de Isaque, filho de Abraão, que se chamava Jacó. O nome de Jacó foi mudado para Israel quando numa visão na qual Jacó lutava com um anjo e este mudou o seu nome para Israel, numa escada que subia ao céu, segundo o relato bíblico.
No reinado de Davi, Israel conquistou toda a terra limitada pela promessa da terra prometida por Deus a Abraão. Seu filho Salomão, por falta de governabilidade política, permitiu a divisão de Israel em dois reinos, norte e sul, porém, promoveu um grande desenvolvimento social e econômico, tendo como referencial, o templo de Salomão. Com a construção do templo de Salomão foi possível concretizar a convicção religiosa do povo judeu nos seus ritos, cultos, festas e cerimônias mosaicas.
Os judeus mantêm ainda hoje toda esta tradição, porém numa forma diferenciada de comemorar, pois não existe mais o templo construído por Salomão, somente as ruínas das muralhas do templo como testemunhas deste período suntuoso do reinado de Salomão e que mantém aceso o ideal de reconstruí-lo no mesmo local primitivo, principalmente por parte dos judeus ortodoxos.
Do reinado de Salomão, com o enfraquecimento devido à divisão em dois reinos, Israel foi invadido pelos babilônicos os quais destruíram o símbolo da convicção religiosa, o templo de Salomão, promovendo assim a diáspora, que é a fuga dos judeus para diversos lugares do mundo, mantendo a sua convicção religiosa por longos anos e o propósito de retornar a terra prometida.
Os judeus estabeleceram o hebraico, como língua oficial de Israel, para poderem ler as ordenanças mosaicas no texto original despertados por esta convicção religiosa e sua tradição.
A análise do anti-semitismo, neste ambiente teórico, objetivando levantar hipóteses, proporá a seguinte metáfora, elaborada por mim: Que todos nascem pedra com quinas. O bebê pedra, por instinto, nasce rolando, e rolando, aparará as arestas das quinas. Então, este instinto de rolar, que traz prazer e dor ao mesmo tempo, será uma atividade, também, das pedras adultas, até atingir a forma redonda. Assim, mantendo a cultura do rolamento iniciada no primeiro bebê pedra.
O prazer seria por rolar e ficar livres das quinas e, a dor seria, pela retirada das arestas das quinas, ao rolar. No rolamento, a pedra seria aplanada e arredondada. O rolamento acontecerá em terrenos diferentes, áspero ou liso, ondulado ou plano.
Assim, alguma pedra, devido ao tipo do terreno em que nasceu e ao tempo de rolamento, ficaria achatada, outra, conforme a sua “sorte” ou “destino” e o tipo de terreno e ao tempo de rolamento, ficaria arredondada.
O ficar com menos quinas e mais redonda é o ideal a ser perseguido, e será, o que determinará a relação social entre as pedras. Quanto mais redonda, maior a liderança e a interação social. Com a forma totalmente redonda, as pedras poderiam rolar livremente, agora sem dor, só com o prazer de rolar, se isto for possível.
Freud agia como quem acredita que a integralidade dos processos de interação social sempre se reporta a um princípio único e soberano de poder .
Algumas pedras não rolariam, com receio do tipo de terreno, apesar do seu instinto instigá-las a rolar, nas permanecem inativas, oprimidas, inibidas e desencantadas, podendo haver outros tipos de receios.
Dessa metáfora, talvez, desenvolver-se-ia uma teoria psicanalítica.
E pensando assim, há muito a considerar nessa teoria psicanalítica, tais como, os tipos de pedras com sua dureza, tenacidade e formação geológica; e as características dos terrenos: úmidos, secos, planície, planaltos, vales, rios, mares, pelos quais, as pedras rolariam.
Talvez seja interessante fazer uma análise do comportamento das pedras no rolamento e durante as perdas das quinas e arestas em relação às variações do tempo e espaço.
A análise do comportamento das pedras no rolamento e durante as perdas das quinas e arestas em relação às variações do tempo e espaço será feita considerando a pedra como o anti-semitismo, assim como poderíamos considerar qualquer atitude de hostilidade a qualquer etnia, crença, cultura ou minoria.
Dessa forma, a análise passa pelo o tratamento que é dado não só ao anti-semitismo, mas também a outros tipos de atitude que queira segregar uma minoria.
O tempo e o espaço, com suas variações, permitem aferir, quando as arestas e quinas são aparadas. Nessa perspectiva, o tempo, com a seu passar e “paciência”, é capaz de promover mudanças sociais inimagináveis, e o espaço, com seus acontecimentos, é capaz de moldar em relação à outra, a mais rígida convicção.
O terreno onde a pedra vai rolar seria o mundo moderno e globalizado.
As quinas e arestas, que se aventavam para justificar a hostilidade, eram na idade média, a religiosa e na época do nazismo no século XX, uma pretensa doutrina científica, todas aparadas nas alterações sociais no tempo e no espaço.
Talvez, por hipótese, seja interessante neste rolamento, verificar as quinas e arestas das pedras do interesse econômico, político e social da relação dos judeus e palestinos no Oriente Médio.
Possivelmente, outras hipóteses, a pedra burca francesa como também as pedras africanas que, talvez hesitem em rolar, não com receio do tipo terreno de rolamento, mas por não terem nem mesmo o terreno onde rolarem pela falta de interesse que possibilite que estas pedras se arredondem.
Em todas estas hipóteses, o ponto comum é a procrastinação. A procrastinação crônica pode ser um sinal de alguma desordem psicológica ou fisiológica .
Penso que pode ser o sintoma do terreno considerado nesta metáfora.
Talvez, após o rolamento, agora, redondas, as pedras estejam mais livres para rolar, objetivando uma melhor socialização, perscrutando qual o limiar das convivências pacificas e do bem estar social.
Parafraseando o poeta Fernando Pessoa, o lema das pedras será: “rolar é preciso, durar não é preciso”.
CONCLUSÃO
Qualquer tipo de segregação é inadmissível. Aquele que segrega e os que são segregados devem promover soluções no campo social, político e econômico perscrutando qual o limiar das convivências pacíficas e do bem estar social.
REFERÊNCIAS
SAFATLE, Vladimir. Freud como teórico da modernização bloqueada. 2010.
_______________. A psicologia das massas: regras e fantasias. 2010.
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e a análise do eu. 1921.
______________. O mal-estar na civilização. 1929.
______________. Totem e tabu. 1913.
A Bíblia.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
A SOCIEDADE BRASILEIRA E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010: UM DEBATE POLÍTICO-RACIONAL OU UM DEBATE MORAL-TEOLÓGICO?
MÓDULO: FREUD COMO TEÓRICO DA MODERNIDADE
PROFº. VLADIMIR SAFATLE
NOME: ALESSANDRO DA SILVA GUIMARÃES
INTRODUÇÃO
_______________. A QUESTÃO DE UMA WELTANSCHAUUNG.
PROFº. VLADIMIR SAFATLE
NOME: ALESSANDRO DA SILVA GUIMARÃES
INTRODUÇÃO
De acordo com dados e pesquisas estatísticas, o número de evangélicos vem crescendo de forma acelerada e extraordinária no Brasil, confirmando algumas hipóteses que alguns cientistas sociais que estudam o fenômeno da religião já haviam elaborado há duas décadas. O que os dados estatísticos do IBGE não conseguem revelar, todavia, acaba se evidenciando nas pesquisas sociológicas e antropológicas, que são os reflexos desse processo de conversão religiosa na transformação das condutas e dos modos de ser dos fiéis. E essa mudança envolve toda forma de relação dessas pessoas com a sociedade, com a cultura e com a própria política. Grande prova disso foi o processo de eleição presidencial que estamos vivendo e que desvelou toda marca religiosa sempre tão presente no imaginário coletivo do brasileiro e que agora ganha uma nova roupagem, articulando-se explicitamente com aquela instância que deveria a priori ser um espaço laico: o estado democrático racional moderno.
Como nos coloca o professor Vladimir Safatler, o éthos é um modo de ser que nos remete a uma ética. Trata-se da incorporação de determinados princípios éticos, produzidos por meio de dinâmicas sócio-culturais, que, por conseguinte, irão produzir ações e atitudes que repercutirão nas relações entre as pessoas e destas para com o mundo, tal como demonstrou Weber em sua famosa obra “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Como a ética aqui está diretamente ligada à cultura e a sociedade podemos pensar que seu espaço pretensamente racional não está desconexo de toda uma cadeia de desejos e representações sociais e coletivas que dão movimento as relações que criamos e recriamos em nossa existência social. Desse modo, os comportamentos e valores que se desenharam nesse processo eleitoral estão estreitamente ligados as novas semânticas vivenciais que estão ligadas a forças religiosas que são um dos fundamentos desses novos princípios éticos – que nem são tão novos assim – que estão reconfigurando o jogo político.
Dentre as cenas que chamam a atenção nessa eleição para presidente podemos destacar: a) a força das igrejas e grupos religiosos na definição dos votos de seus fiéis; b) a consciência dos candidatos desse processo, acompanhado do posterior uso político dessas forças por parte dos candidatos através de alianças e debates morais. Polêmicas como o aborto e a união entre pessoas do mesmo sexo passaram a canalizar todo o debate, acompanhado de denúncias e uso político e eleitoreiro de questões morais que ainda encontram resistência em uma sociedade que ainda traz marcas patriarcais e conservadoras como a sociedade brasileira.
DESENVOLVIMENTO
Ao negarem os princípios laicos e racionais que fundamentaram o Estado racional moderno, produzindo assim um comportamento diferenciado em relação padrão de escolha racional, não estaria o comportamento dessas pessoas apontando para um modo de ser e sentir que está enraizado em nossa cultura e que, portanto, motiva nossas ações e modos de pensar que balizam desde nossas ações mais íntimas até mesmo as decisões da res pública? Essa forma de política aqui, portanto, parece estar apontando para uma prática muito mais comum do que se imagina. Como aponta o professor Vladimir Safatler devemos pensar de que maneira o indivíduo cria disposições de comportamentos e modos de conduta que são internalizações das próprias exigências sociais. Desse modo, como ele desenvolve essas condutas? Que exigências sociais estão por detrás desses posicionamentos? Como uma teoria social Freudiana pode nos apontar que sentimentos tão subjetivos tem relações diretas com nossa constituição como sujeitos sociais e culturais?
Para o professor Vladimir a solidez dos laços sociais se dá a partir daquilo que o próprio Lacan denominou de reconhecimento. Eu entro no jogo social em busca desse reconhecimento – me fazer reconhecer em meus projetos, minhas realizações, minhas fantasias e desejos. Nesse sentido, a base da vida social estaria alicerçada no reconhecimento do próprio desejo do sujeito – desejo de ser e ser reconhecido como tal. Nesse processo um dos mecanismos de ligação entre pessoas e grupos se dá a partir do que Freud chama de identificação. Como Freud coloca em psicologia das massas “a identificação é conhecida pela psicanálise como a mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa. Ela desempenha um papel na história primitiva do complexo de Édipo” (PSICOLOGIA DAS MASSAS E ANÁLISE DO EU, página 41). Ao falar da relação entre a política fascista e o processo de identificação, Adorno nos faz ver que “o mecanismo que transforma a libido na ligação entre líder e seguidores, e entre os próprios seguidores é o da identificação” (ADORNO, página 09).
Por tudo isso, afirmamos que podemos pensar que, no caso das eleições brasileiras, o debate político se focou em questões morais (como o aborto) e teológicas (os candidatos são cristãos de fato? Acreditam na existência de Deus? – não o Deus imanente de Hegel ou Spinoza, mas o Deus transcendente encarnado na representação judaico-cristã que formou boa parte dos padrões morais do mundo ocidental) pelo fato de os candidatos buscarem, a qualquer preço, criar um laço de identificação para com seus possíveis eleitores. Desse modo fica claro que as escolhas políticas, nessa conjuntura instaurada, está alicerçada por um processo afetivo que liga minha fé mais íntima aos pressupostos da própria ação política. Ao explicar a gênese do processo de identificação Freud nos apresenta três fontes que resumem tal processo e que assim podem ser explicadas: “primeiro, a identificação constitui a forma original de laço emocional com um objeto; segundo, de maneira regressiva, ela se torna sucedâneo para uma vinculação de objeto libidinal, por assim dizer, por meio de introjeção do objeto no ego; e terceiro, pode surgir com qualquer nova percepção de uma qualidade comum partilhada com alguma outra pessoa que não é objeto de instinto sexual” (PSICOLOGIA DAS MASSAS, página 45). As imagens que repercutiram nos grandes meios de comunicação de massa da candidata Dilma Rousseff freqüentando missas e do candidato José Serra beijando um terço em meio a uma multidão, além dos inúmeros encontros de ambos os candidatos com grupos de evangélicos para discutirem propostas de campanha, mostram claramente a busca por essa identificação tão própria que é constituída nos meios religiosos. Destaque aqui também para a candidata Marina Silva, grande revelação do primeiro turno das eleições e que era uma candidata evangélica praticante pertencente ao grupo pentecostal. Ficou claro o processo de identificação que ela conseguiu dos eleitores evangélicos, tanto é que na busca por esses eleitores, já no segundo turno, os dois outros candidatos lançam mão de construir uma imagem cada vez mais ligada aos princípios cristãos, mesmo que isso possa ser interpretado como uma mera teatralização.
Como dirá Freud “todo cristão ama Cristo como seu ideal e sente-se unido a todos os outros cristãos pelo vínculo da identificação. Mas a igreja exige mais dele. Tem de identificar-se com Cristo e amar todos os outros cristãos como cristo os amou” (PSICOLOGIA DAS MASSAS, página). Nesse aspecto, o próprio Freud afirma que o novo desenvolvimento na distribuição libidinal presente no grupo “constitui provavelmente o fator sobre o qual o cristianismo baseia sua alegação de haver atingido um nível ético mais elevado” (PSICOLOGIA DAS MASSAS, página 76). Tendo em vista a função libidinal que se reveste a própria noção de autoridade, para que esse reconhecimento de autoridade – baseada em princípios “é ticos superiores” – tivesse um reconhecimento de fato numa sociedade mais fortemente religiosa, vendo na mesma uma busca para seus problemas, esse mesmo reconhecimento partira, em um movimento eminentemente social, para os desejos e fantasias ligados a fé mais íntima de seus eleitores, fazendo-se valer dessa força religiosa que está impregnada no inconsciente da maior parte dos brasileiros como já foi mostrado por inúmeros estudos sociológicos. Deveríamos buscar assim uma gênese dessa força que nos arrasta?
Poderíamos afirmar, talvez, que, em uma sociedade escravocrata e baseada nos princípios da desigualdade, a religião poderia ter tanto uma função ideológica quanto uma função protetora, entendo proteção aqui no sentido de buscar segurança em algo, seja esse algo mesmo uma mera fantasia ou desejo de transcendência. Freud já nos dizia que “A quantidade de proteção e de satisfação destinada a uma pessoa depende do seu cumprimento das exigências éticas; seu amor a Deus e a consciência de ser amado por Deus são os fundamentos da segurança que adquire contra os perigos do mundo externo e do seu ambiente humano” (A QUESTÃO DE UMA WELTANSCHAUUNG, página 06). Talvez na busca por essa segurança, por motivos ligados talvez até na descrença de uma política no âmbito racional (com tantas denuncias de corrupção que se espalham nos meios de comunicação) busca-se uma segurança alicerçada no desejo coletivo do grande cristão como líder ideal. Afinal, Cristo nos ensinou a sermos verdadeiros, a sermos irmãos, a compartilharmos uns com os outros. Numa realidade na qual as pessoas cada vez mais estão em um processo de desencantamento com as estruturas políticas torna-se o terreno propício para a espera do grande Messias e, se essa possibilidade não existe, pelo menos de alguém que se aproxime ao máximo dos princípios éticos desse suposto Messias. Interessante entender aqui como essa figura, ou pelo menos as características que deverá ter, passa de alguma forma a ser transposta diretamente de bases religiosas, nem sempre verdadeiras de fato, mas ao menos aparentando sê-la. Outra prova forte disso é o número considerável de senadores e deputados, que compõe a chamada bancada evangélica, que são eleitos a partir dessa conjuntura.
Outra idéia fundamental que pode ser analisada aqui é a figura do desamparo trabalhada pelo professor Vladimir Safatle. Segundo ele os princípios éticos construídos a partir de uma fundamentação religiosa se constituem a partir da ruptura entre homem e natureza. Dessa forma “o desamparo aparece enquanto consciência da desintegração da possibilidade de apreensão do sentido como totalidade de relações” (SAFATLE, p. 19). Inclusive podemos pensar a figura do desamparo, tal como aponta Freud, vinculada ao próprio processo de modernização e a um possível fracasso de suas promessas de desenvolvimento e progresso (pensando aqui, naturalmente, a religiosidade contemporânea no Brasil e suas conseqüências no âmbito político e sociocultural). Diante de promessas não cumpridas e dos sofrimentos causados por ela parece haver contemporaneamente um retorno de um substituto tão próximo do Pai – ou seja, Deus. Esse Deus que vem nos consolar do desamparo moderno, todavia, veste-se de uma roupagem aparentemente nova – o Estado. Naturalmente recorrendo à história podemos verificar que Estado e religião estiveram, em grande parte dela, caminhando muito conjuntamente. Isso nos permite pensar: será que, de fato, vivemos a idéia de desenvolvimento na história (no sentido positivo da modernidade) ou recorremos a novas nuances e conjunturas para velhas práticas?
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por tudo isso que colocamos podemos pensar aqui uma questão fundamental da qual várias outras questões podem surgir: será que o processo de desencantamento político promovido em nossas relações sociais (desencantamento operado a partir da quebra das estruturas e princípios fundamentais que regem o Estado moderno – democracia, impessoalidade, transparência, etc.) tem produzido uma nova força que confunde político e religioso – tendo em vista que nesse último se encontraria nosso éthos primordial, tendo em vista vivermos em uma sociedade altamente religiosa? Podemos pensar aqui que a ciência (e penso o Estado racional moderno nasce com um desenvolvimento que se deu ao lado do desenvolvimento racional e científico, em contraposição ao religiosidade e a nobreza) não cumpriu, pelo menos na sociedade brasileira (para nos delimitarmos geograficamente e historicamente) suas promessas de emancipação social. Encontramo-nos aqui sob a perspectiva daquilo que o professor Vladimir chama de modernidade bloqueada. A visão científica do mundo não se desenvolve de fato na realidade política e social que vivemos. A chama das luzes foi ofuscada e mesmo apagada muitas vezes pelas relações de poder que aí se configuraram e não levaram em conta princípios como da justiça e da igualdade. Como o próprio Freud deixa claro a idéia de modernidade fornecida pela ciência não chega a vida social. Permanece enquanto promessa não cumprida. Se essa “emancipação racional” não foi possível, todavia, é interessante compreendermos como ela tem sido ressignificada em nossa sociedade e, em especial, em nossas relações políticas.
Outro fato que o professor Vladimir nos evoca a pensar, e que está ligado a questão acima, é que vivemos numa sociedade que se auto representa de forma catastrófica – as luzes iluministas, hoje mais do que nunca, parecem hoje estar se apagando. Assuntos como violência, drogas e corrupção parecem dominar os assuntos cotidianos e são acompanhados geralmente por uma falta de perspectivas terrenas para resolvê-los. Desse modo, entra aqui a figura transcendental: só Deus para resolver isso, dirá o cidadão comum dentro do ônibus ou na fila do supermercado. A depressão e o pânico coletivo vão aos poucos se enraizando na vida pessoas próximas a nós, isso quando não se enraízam em nós mesmos. Algumas soluções começam a apontar, entre elas os produtos da indústria farmacêutica – que não vai as causas, mas alivia os sintomas – e a busca cada vez mais intensa pelo transcendente, caminho que pode apontar para a felicidade eterna, mesmo que, como dirá alguns críticos, sirva apenas de anestésico para aliviar ou nos fazer esquecer do sofrimento cotidiano que dói tanto em nosso ser. Por isso ao pensarmos o jogo político que está há algum tempo se configurando em nossa sociedade não podemos pensá-lo separado de toda articulação que ele tem com questões culturais, históricas, psíquicas ou mesmo ontológicas. Se a psicanálise não nasce dissociada dos laços sociais – que Freud sempre deu grande importância em suas análises – devemos pensar como esses mesmos laços tem sido ressignificados em nossas relações, seja pelas novas demandas que são trazidas, seja pelas demandas não cumpridas e que acabam, pela própria necessidade de segurança psíquica e ontológica que temos, sendo substituídas por outras instancias – a política pela religião, por exemplo, criando muitas vezes uma realidade confusa que deve ser compreendida em toda sua complexidade.
REFERÊNCIAS
ADORNO. Teoria Freudiana e o padrão da propaganda fascista.
FREUD, SIGMUND. PSICOLOGIA DAS MASSAS E ANÁLISE DO EU.
_______________. A QUESTÃO DE UMA WELTANSCHAUUNG.
SAFATLE, VLADIMIR. APOSTILA DO MÓDULO: FREUD COMO TEÓRICO DA MODERNIDADE.
Um pastor como ‘tábua da salvação’ da contingência do desamparado
Um pastor como ‘tábua da salvação’ da contingência do desamparado
Trabalho na modalidade acadêmica com vistas à obtenção de nota para efeito de avaliação final da disciplina “Freud como teórico da modernidade bloqueada”, Professor Vladimir Safatle, do curso “Filosofia e Psicanálise” da UFES.
Aluna: Melissa Brandão Pretralonga
O caso analisado refere-se ao histórico público de um pastor evangélico atuante no Rio de Janeiro, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, chamado pastor Marcos Pereira, alvo de reportagens da TV aberta e de jornais de circulação nacional, citados ao longo do texto e referenciados ao final do trabalho, no capítulo 4 - Referência biográfica.
O cerne da análise será a liderança e o fascínio exercidos pelo pastor em relação às massas a que se dirige: presos rebelados em presídios e delegacias, pessoas em conflito com a Lei: traficantes de drogas e seus cúmplices das comunidades cariocas de baixa renda (vulgarmente conhecidos como ‘morros cariocas’), freqüentadores de festas populares descritas como bailes funk que ocorrem nas comunidades cariocas.
Segundo as fontes consultadas para compor o trabalho, o pastor Marcos Pereira exerce um tipo peculiar de liderança: ele consegue a façanha de acalmar presos rebelados, converter criminosos a cristãos fiéis de sua igreja, mobilizar o trabalho de ex-criminosos na recuperação de outros cidadãos, o livre acesso às comunidades dominadas pelo poder dos traficantes (o crime organizado), a interrupção de bailes funk para pregar a Palavra de Deus, interromper julgamentos efetuados pelos criminosos, em regime de Tribunais de Exceção, além de tirar as pessoas do tráfico, consumo de drogas e do crime.
O termo peculiar foi utilizado neste trabalho para destacar a notória liderança exercida pelo pastor na medida em que suas ações e resultados obtidos, segundo consta nas reportagens consultadas, vão além do papel religioso e social da profissão, pois atuam na contingência de homens que, em situações cotidianas, não buscariam por amparo religioso e muito menos social.
Em linhas gerais, as reportagens consultadas dão conta da forma de agir do pastor: ele tem acesso livre a regiões consideradas proibidas pelo bom senso de serem freqüentadas por qualquer estranho ou até mesmo da polícia, as temidas ‘bocas de fumo’ das comunidades cariocas, além dos locais já citados (presídios, delegacias, etc.). Segundo consta, o pastor desfruta de popularidade entre os criminosos pelo seu trabalho de campo e também pelos resultados já alcançados.
Há também relatos de que o pastor promove exorcismos para livrar as pessoas dos espíritos do mal, que, segundo a fala do próprio pastor, são responsáveis pelos atos criminosos das pessoas. As conversões e até os exorcismos são filmados e transformados em DVDs, que são comercializados com o objetivo de, segundo o site do pastor, sustentar a obra de purificação de almas. Além da igreja, a obra inclui uma fazenda de recuperação de dependentes químicos, que segundo o discurso do pastor, salvou centenas de pessoas que haviam sido condenadas [à morte] pelo tráfico e que o Rio de Janeiro estaria muito pior se não fosse pela ação do pastor na recuperação de criminosos.
As situações classificadas anteriormente como tribunais de exceção referem-se ao tribunal do tráfico, responsável por eliminar os ratos de favela, expressão utilizada para denominar os criminosos que agem em desfavor da comunidade em que vivem, ao praticarem crimes contra a população local (como furtos e roubos), ou seja: o poder constituído do crime organizado convive bem com os criminosos que agem na sociedade (exclusivamente fora dos limites geográficos e sociais das favelas), mas não perdoam crimes em seus domínios. Além dos ratos de favela, os X9, expressão que significa delator: aquele que fornece aos traficantes rivais ou à polícia informações sobre os criminosos locais e suas ações, também costumam pagar com a vida pelo crime de delação nos julgamentos efetuados pelos tribunais de exceção. A presença e ação do pastor em tais situações costumam ser, além de bem sucedida, pontuais e até mesmo solicitadas pelos condenados. Seu método consiste em comparecer ao local em companhia de seus fiéis e interceder em favor dos réus, após a persuasão (exatamente nestes termos, pois não há intervenção da polícia ou de qualquer tipo de violência, apenas os argumentos do pastor) dos traficantes responsáveis pelas execuções. Segundo consta, os moradores são responsáveis pelas denúncias efetuadas diretamente ao pastor, por telefone, sobre a instituição dos tribunais do tráfico. Situação semelhante a descrita em relação a ação do pastor nas rebeliões em presídios e delegacias: num dos casos há o registro de que os presos rebelados, após um saldo de mais de 30 mortes, exigem a presença do pastor para negociar a rendição e o sucesso de sua atuação no controle da rebelião em poucas horas de conversa com os rebelados.
Nos bailes funk a ação do pastor é ainda mais peculiar: nestes locais, o pastor circula entre os freqüentadores (jovens, traficantes fortemente armados, crianças, garotas em trajes provocantes, todos envolvidos pela música de letras que fazem apologia ao sexo livre, à vida social das favelas, ao poder do crime organizado e à violência, entre outros temas nada líricos), sobe ao palco e solicita a interrupção da música, começa a pregar a palavra de Deus, entoa cânticos evangélicos e ocorre o fenômeno mais sui generis de todos os outros descritos: a massa aceita a interrupção e passa da sensualidade e vulgaridade da dança do funk para a passividade e docilidade do embalo provocado pelos cânticos. Mais do que isso, ocorre uma espécie de transe coletivo aonde os freqüentadores chegam a desmaiar, um a um, numa demonstração efetiva do poder exercido pelo pastor através de seus gritos de aleluia, glória a Deus, citações de passagens bíblicas e repetição dos refrões das músicas cristãs, cantadas pela equipe de fiéis do pastor que também sobe ao palco para compor o espetáculo.
O objetivo do trabalho está na compreensão do fenômeno da liderança de massas sob a luz da teoria freudiana quando trata da teoria social. É importante deixar claro que não compõe o objetivo uma apologia ao evangelismo assim como a crítica ao fenômeno religioso da conversão evangélica, apesar de ser protagonista do caso analisado um pastor evangélico e seus métodos.
A relevância da análise do caso está diretamente associada à importância da compreensão do fenômeno social do surgimento de figuras superegóicas capazes de “reduzir o político à mobilização libidinal do medo, do desamparo e de demandas fantasmáticas de segurança”:
(...) o pensamento de Sigmund Freud pode ainda dar conta de fenômenos sociais e políticos importantes para a compreensão da contemporaneidade. Freud fornece, sobretudo, uma chave para entendermos por que nossas sociedades modernas estão sempre às voltas com elementos regressivos. Ele nos demonstra como os riscos às nossas sociedades não vêm de fora, mas de dentro delas mesmas. (SAFATLE, 2010, p.54)
1. Visão teórica
Torna-se necessário classificar alguns atores do caso analisado à luz das expressões utilizadas por Freud na obra ‘Psicologia das massas e análise do eu’ analisada por SAFATLE, 2010.
O ambiente onde se desenvolve a trama religiosa são as comunidades periféricas (favelas), cujo clima é volátil principalmente pela situação de contingência dos seus moradores, cidadãos que vivem à margem do poder e constituem a base da pirâmide econômica do capitalismo: trabalhadores não especializados, proletários, operários e componentes do mercado informal, alem daqueles que desenvolvem suas ações profissionais a serviço do crime organizado, constituindo-se assim como criminosos, não no aspecto preconceituoso do termo, mas por estarem em conflito com a lei. Assim, temos aqui o cenário do desamparo social o medo da violência (os trabalhadores temem a violência do crime organizado, os criminosos temem as facções rivais, os moradores em geral temem a violência policial), desta forma, podemos inferir que este cenário se aproxima do que SAFATLE (2010 p. 43) classifica como demanda fantasmática de segurança.
No aspecto social, podemos classificar como desamparo a ausência ou mesmo ineficácia de políticas públicas e sociais de assistência efetiva (por infra-estrutura básica, como água encanada, educação e saúde de qualidade, políticas de segurança), além disso o desamparo pela situação de exclusão social, principalmente nos casos dos criminosos encarcerados, que se encontram alijados da sociedade, da convivência afetiva-familiar-conjugal, portanto em situação de demanda de amor.
Podemos classificar o pastor como uma figura de autoridade dotada de poder, que não é produto da força ou da coerção, mas como SAFATLE (2010 p. 23) esclarece “todo vínculo a autoridade é baseado sob alguma forma de demanda de amor e reconhecimento; ele nunca é simplesmente o resultado de alguma coerção”, ou seja, o pastor representa muito bem o papel de autoridade quando se coloca ao lado daqueles que são discriminados e temidos pela sociedade, se propõe a curá-los, não só aos criminosos condenados, mas também na defesa daqueles criminosos que se encontram sob intensa tortura e sentenciados de morte pelo tribunal do tráfico.
Para completar a classificação dos atores do caso à luz da teoria freudiana, podemos ainda utilizar o conceito ‘figuras marcadas pela onipotência’, descritas por SAFATLE (2010 p. 45) cuja característica podemos associar aos traficantes que são o alvo do pastor: nestes a onipotência seria produto do poder paralelo constituído pelo crime organizado.
Outra classificação relevante que podemos propor é sobre o termo citado por Safatle (...) “[a soberania] não é fundadora de lei e regras. Ela é antes a certeza de que leis e regras poderão ser suspensas por um princípio de soberania. “Dessa forma, os líderes fascistas permitiriam a manifestação do ressentimento contra uma Lei que, em larga medida, fora compreendida como a repressão exigida pelo mais forte” SAFATLE (2010 p. 45). As regras e a lei são suspensas ou pelo menos desobedecidas pelo pastor Marcos Pereira em diversas situações, a contar: quando ele utiliza um baile funk para pregar, certamente que presencia o tráfico, a presença de crianças e outros delitos, se tornando cúmplice de diversos crimes que na qualidade de cidadão teria obrigação de denunciar (princípio previsto na Legislação Brasileira) e não o faz. Assim como presencia crimes de tortura tanto nas delegacias, presídios quanto nos tribunais do tráfico, e que também não denuncia. Além disso, podemos citar a suspensão da lei do crime, que prevê que todo estranho que presencie a ação do crime organizado seja executado, mas o pastor continua vivo, imune à punição do sistema formal de Leis assim como do sistema de leis imposto pelo crime.
Também podemos utilizar o conceito de ressentimento contra a lei do mais forte, citada por Safatle que podemos, por analogia, associar aos criminosos em questão: a Lei formal não sobe os morros das favelas, mas o crime organizado institui um sistema de leis e inclusive institui um ‘tribunal de exceção’ já citado anteriormente, que tem uma força infinitamente maior do que o sistema formal. Ou seja, a lei do mais forte, do qual podemos inferir ser a Lei do Estado, mais forte que seu cidadão, a repressão do poder policial, capaz de produzir o ressentimento naqueles que estão sujeitos a esta força e instituir um sistema mais repressivo ainda. Aqui também encontramos eco nas considerações de Safatle: “Esse ressentimento deve vir paradoxalmente associado à fascinação pela ordem, pela rigidez, pela segurança. Queremos ser o veículo da lei, mas que seu peso repressivo não caia em nossos ombros” SAFATLE (2010 p. 45). Encontramos a aproximação com o cenário analisado: o crime organizado possui suas próprias leis, condena severamente aqueles que a desobedecem assim como são inflexíveis:
Através de sua teoria do desamparo, Freud insistira em que as sociedades modernas estariam abertas ao retorno de figuras superegóicas de autoridade vindas na linha direta do mito do pai primevo ou que permitem a identificação com tais tipos ideais, que prometem a encenação de um lugar de excepcionalidade no qual a transgressão da lei é possível. SAFATLE (2010 p. 43-4). (sem grifo no original).
Ainda analisando os efeitos da liderança do pastor, encontramos a situação mais bizarra dentre as descritas pelos jornalistas e vídeos consultados, que é o fenômeno da hipnose ou comoção coletiva, onde podemos fazer uma analogia direta ao texto de Freud “Psicologia das massas e análise do eu”, quando este descreve o fenômeno do contágio e sugestionabilidade (capítulo II) ao classificar todo grupo como “extremamente crédulo e aberto à influência”, o que explicaria o efeito em cadeia do transe e desmaio das pessoas ao ouvirem a pregação do pastor. Freud, no mesmo capítulo, também explica a excitação do grupo promovida pelo pastor: “Inclinado como é a todos os extremos, um grupo só pode ser excitado por um estímulo excessivo. Quem quer que deseje produzir efeito sobre ele, não necessita de nenhuma ordem lógica em seus argumentos; deve pintar nas cores mais fortes, deve exagerar e repetir a mesma coisa diversas vezes.” Podemos enxergar tal efeito quando o pastor repete para o público, no baile funk, a mesma coisa: aleluia e glória a Deus.
Assim, podemos colorir o quadro com cores fortes, à moda Frida Kahlo, onde teremos nas tonalidades acentuadamente fúcsia um sujeito central que construiu sua fama e popularidade de forma estratégica, inicialmente em tons pastéis, com foco naqueles indivíduos relegados ao esquecimento (usuários de drogas e bandidos), coloridos em tons acinzentados, em seu próprio habitat (sarjetas e bocas de fumo), acirradamente enegrecidos, conferindo ao nosso protagonista ares de coragem e inovação, uma vez que é pouco comum a ação de religiosos em tais locais. Ainda temos, em nossa pintura de contornos bem nítidos, a construção de um método (que se consolidou em receita de sucesso) em tons alaranjadamente tímidos, de exercício de influência e poder sobre indivíduos em conflito com os princípios da lei formal, baseado na coragem, inovação e astúcia de um líder que ousa, com palavras de fé e uma acentuada dose de senso de oportunidade, arbitrar em cenário draconiano, em favor dos condenados. Acentuando os tímidos alaranjados que colorem o método do pastor, podemos concluir nossa pintura em tons agora berrantes, com cenas públicas de espetáculo, a condecoração do protagonista em herói público, defensor dos fracos e oprimidos (os desamparados), capaz até mesmo de conter a fúria de presos rebelados e domar multidões em êxtase, ao som de repetidas palavras de ordem: Hei! [brado em forma de tiro], tá [sic] amarrado em nome de Jesus (para salvar dos tribunais de exceção os réus), Aleluia e Glória a Deus (para conter a fúria da massa rebelada e instituir o êxtase religioso em indivíduos minimamente propensos à religiosidade).
Podemos nos valer do conceito freudiano de identificação para arrematar o contraste de cores da nossa pintura: os indivíduos que se submetem ao poder do pastor experimentam a sensação de se identificarem com este líder, pois assim ele se constituiu, como um deles, mas investido do poder de Deus, o que contribuiria para ampliar nossa compreensão do fenômeno da liderança que aquele desfruta entre seus simpatizantes e seguidores. Aqui está nossa obra de arte naif, um líder e seus liderados, um império religioso que se sustenta pela fama adquirida e sustentada pela comercialização em DVD dos espetáculos de conversão.
Para finalizar, podemos inferir que o poder e a autoridade do pastor Marcos Pereira podem ser analisado à luz da teoria freudiana sem prejuízo à compreensão, pois nela encontramos elementos que desmistificam o fascínio exercido pelo pastor nas massas, por se tratar de um grupo, o que talvez não fosse possível observar em indivíduos isoladamente.
Também tivemos a oportunidade de analisar outros aspectos da teoria social freudiana, como a necessidade que as massas têm de um líder que lhes preencha com amor o desamparo e suas contingências.
Além disso, foi possível compreender como é volátil o narcisismo, que se desloca do eu e passa a compor o ideal do mesmo eu personificado pelo líder, por aquele que é capaz de dominar uma multidão sem utilizar qualquer tipo de violência ou coerção, mas apenas na mobilização libidinal do medo e do desamparo.
2. Proposições finais
Seria um líder como o pastor, capaz de mobilizar as massas para uma tomada de poder da burguesia? Explico: um grupo moderno, como os fiéis de uma igreja, poderia ser convencido a invadir pela força propriedades privadas e se apoderar de bens particulares?
Supondo que a resposta à questão acima fosse afirmativa, que tipo de poder seria capaz de intervir? A intervenção seria pelo uso da força? Ao utilizar a força bélica, por exemplo, e dispersar um grupo coeso, seus membros isolados ficariam enfraquecidos? Ou seriam capazes de se reorganizarem para manter o status quo?
Diante do progresso da tecnologia (convém explicitar que a expressão não é uma referência à “visão cientifica do mundo” de Freud, é apenas uma inferência do senso comum) poderíamos seguramente concluir que o homem, móvel das evoluções científicas e tecnológicas, evoluiu do seu estado selvagem para o atual estado de civilização. Analisar cenários como o descrito neste trabalho assim como outras situações de barbárie da atualidade (holocausto, xenofobia, extremismos religiosos, etc.), compromete a conclusão simplista de evolução e permite inferir que o homem cercou-se de progresso e modernidade, mas permanece essencialmente subproduto das pulsões instintuais, assim como o era antes mesmo de ceder à civilização?
3. Referências Bibliográficas
SAFATLE, Vladimir. Freud como teórico da modernidade bloqueada. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de Educação Aberta e a Distância, 2010.
acesso em setembro e outubro de 2010.
acesso em 12/10/10
acesso em 12/10/10
acesso em 12/10/10
acesso em 12/10/10
acesso em 12/10/10 acesso em 12/10/10
N° Edição: 2099
29.Jan.10 - 21:00
consultado em 04.Out.10
acesso em 12/10/10
acesso em 12/10/10
Trabalho na modalidade acadêmica com vistas à obtenção de nota para efeito de avaliação final da disciplina “Freud como teórico da modernidade bloqueada”, Professor Vladimir Safatle, do curso “Filosofia e Psicanálise” da UFES.
Aluna: Melissa Brandão Pretralonga
O caso analisado refere-se ao histórico público de um pastor evangélico atuante no Rio de Janeiro, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias, chamado pastor Marcos Pereira, alvo de reportagens da TV aberta e de jornais de circulação nacional, citados ao longo do texto e referenciados ao final do trabalho, no capítulo 4 - Referência biográfica.
O cerne da análise será a liderança e o fascínio exercidos pelo pastor em relação às massas a que se dirige: presos rebelados em presídios e delegacias, pessoas em conflito com a Lei: traficantes de drogas e seus cúmplices das comunidades cariocas de baixa renda (vulgarmente conhecidos como ‘morros cariocas’), freqüentadores de festas populares descritas como bailes funk que ocorrem nas comunidades cariocas.
Segundo as fontes consultadas para compor o trabalho, o pastor Marcos Pereira exerce um tipo peculiar de liderança: ele consegue a façanha de acalmar presos rebelados, converter criminosos a cristãos fiéis de sua igreja, mobilizar o trabalho de ex-criminosos na recuperação de outros cidadãos, o livre acesso às comunidades dominadas pelo poder dos traficantes (o crime organizado), a interrupção de bailes funk para pregar a Palavra de Deus, interromper julgamentos efetuados pelos criminosos, em regime de Tribunais de Exceção, além de tirar as pessoas do tráfico, consumo de drogas e do crime.
O termo peculiar foi utilizado neste trabalho para destacar a notória liderança exercida pelo pastor na medida em que suas ações e resultados obtidos, segundo consta nas reportagens consultadas, vão além do papel religioso e social da profissão, pois atuam na contingência de homens que, em situações cotidianas, não buscariam por amparo religioso e muito menos social.
Em linhas gerais, as reportagens consultadas dão conta da forma de agir do pastor: ele tem acesso livre a regiões consideradas proibidas pelo bom senso de serem freqüentadas por qualquer estranho ou até mesmo da polícia, as temidas ‘bocas de fumo’ das comunidades cariocas, além dos locais já citados (presídios, delegacias, etc.). Segundo consta, o pastor desfruta de popularidade entre os criminosos pelo seu trabalho de campo e também pelos resultados já alcançados.
Há também relatos de que o pastor promove exorcismos para livrar as pessoas dos espíritos do mal, que, segundo a fala do próprio pastor, são responsáveis pelos atos criminosos das pessoas. As conversões e até os exorcismos são filmados e transformados em DVDs, que são comercializados com o objetivo de, segundo o site do pastor, sustentar a obra de purificação de almas. Além da igreja, a obra inclui uma fazenda de recuperação de dependentes químicos, que segundo o discurso do pastor, salvou centenas de pessoas que haviam sido condenadas [à morte] pelo tráfico e que o Rio de Janeiro estaria muito pior se não fosse pela ação do pastor na recuperação de criminosos.
As situações classificadas anteriormente como tribunais de exceção referem-se ao tribunal do tráfico, responsável por eliminar os ratos de favela, expressão utilizada para denominar os criminosos que agem em desfavor da comunidade em que vivem, ao praticarem crimes contra a população local (como furtos e roubos), ou seja: o poder constituído do crime organizado convive bem com os criminosos que agem na sociedade (exclusivamente fora dos limites geográficos e sociais das favelas), mas não perdoam crimes em seus domínios. Além dos ratos de favela, os X9, expressão que significa delator: aquele que fornece aos traficantes rivais ou à polícia informações sobre os criminosos locais e suas ações, também costumam pagar com a vida pelo crime de delação nos julgamentos efetuados pelos tribunais de exceção. A presença e ação do pastor em tais situações costumam ser, além de bem sucedida, pontuais e até mesmo solicitadas pelos condenados. Seu método consiste em comparecer ao local em companhia de seus fiéis e interceder em favor dos réus, após a persuasão (exatamente nestes termos, pois não há intervenção da polícia ou de qualquer tipo de violência, apenas os argumentos do pastor) dos traficantes responsáveis pelas execuções. Segundo consta, os moradores são responsáveis pelas denúncias efetuadas diretamente ao pastor, por telefone, sobre a instituição dos tribunais do tráfico. Situação semelhante a descrita em relação a ação do pastor nas rebeliões em presídios e delegacias: num dos casos há o registro de que os presos rebelados, após um saldo de mais de 30 mortes, exigem a presença do pastor para negociar a rendição e o sucesso de sua atuação no controle da rebelião em poucas horas de conversa com os rebelados.
Nos bailes funk a ação do pastor é ainda mais peculiar: nestes locais, o pastor circula entre os freqüentadores (jovens, traficantes fortemente armados, crianças, garotas em trajes provocantes, todos envolvidos pela música de letras que fazem apologia ao sexo livre, à vida social das favelas, ao poder do crime organizado e à violência, entre outros temas nada líricos), sobe ao palco e solicita a interrupção da música, começa a pregar a palavra de Deus, entoa cânticos evangélicos e ocorre o fenômeno mais sui generis de todos os outros descritos: a massa aceita a interrupção e passa da sensualidade e vulgaridade da dança do funk para a passividade e docilidade do embalo provocado pelos cânticos. Mais do que isso, ocorre uma espécie de transe coletivo aonde os freqüentadores chegam a desmaiar, um a um, numa demonstração efetiva do poder exercido pelo pastor através de seus gritos de aleluia, glória a Deus, citações de passagens bíblicas e repetição dos refrões das músicas cristãs, cantadas pela equipe de fiéis do pastor que também sobe ao palco para compor o espetáculo.
O objetivo do trabalho está na compreensão do fenômeno da liderança de massas sob a luz da teoria freudiana quando trata da teoria social. É importante deixar claro que não compõe o objetivo uma apologia ao evangelismo assim como a crítica ao fenômeno religioso da conversão evangélica, apesar de ser protagonista do caso analisado um pastor evangélico e seus métodos.
A relevância da análise do caso está diretamente associada à importância da compreensão do fenômeno social do surgimento de figuras superegóicas capazes de “reduzir o político à mobilização libidinal do medo, do desamparo e de demandas fantasmáticas de segurança”:
(...) o pensamento de Sigmund Freud pode ainda dar conta de fenômenos sociais e políticos importantes para a compreensão da contemporaneidade. Freud fornece, sobretudo, uma chave para entendermos por que nossas sociedades modernas estão sempre às voltas com elementos regressivos. Ele nos demonstra como os riscos às nossas sociedades não vêm de fora, mas de dentro delas mesmas. (SAFATLE, 2010, p.54)
1. Visão teórica
Torna-se necessário classificar alguns atores do caso analisado à luz das expressões utilizadas por Freud na obra ‘Psicologia das massas e análise do eu’ analisada por SAFATLE, 2010.
O ambiente onde se desenvolve a trama religiosa são as comunidades periféricas (favelas), cujo clima é volátil principalmente pela situação de contingência dos seus moradores, cidadãos que vivem à margem do poder e constituem a base da pirâmide econômica do capitalismo: trabalhadores não especializados, proletários, operários e componentes do mercado informal, alem daqueles que desenvolvem suas ações profissionais a serviço do crime organizado, constituindo-se assim como criminosos, não no aspecto preconceituoso do termo, mas por estarem em conflito com a lei. Assim, temos aqui o cenário do desamparo social o medo da violência (os trabalhadores temem a violência do crime organizado, os criminosos temem as facções rivais, os moradores em geral temem a violência policial), desta forma, podemos inferir que este cenário se aproxima do que SAFATLE (2010 p. 43) classifica como demanda fantasmática de segurança.
No aspecto social, podemos classificar como desamparo a ausência ou mesmo ineficácia de políticas públicas e sociais de assistência efetiva (por infra-estrutura básica, como água encanada, educação e saúde de qualidade, políticas de segurança), além disso o desamparo pela situação de exclusão social, principalmente nos casos dos criminosos encarcerados, que se encontram alijados da sociedade, da convivência afetiva-familiar-conjugal, portanto em situação de demanda de amor.
Podemos classificar o pastor como uma figura de autoridade dotada de poder, que não é produto da força ou da coerção, mas como SAFATLE (2010 p. 23) esclarece “todo vínculo a autoridade é baseado sob alguma forma de demanda de amor e reconhecimento; ele nunca é simplesmente o resultado de alguma coerção”, ou seja, o pastor representa muito bem o papel de autoridade quando se coloca ao lado daqueles que são discriminados e temidos pela sociedade, se propõe a curá-los, não só aos criminosos condenados, mas também na defesa daqueles criminosos que se encontram sob intensa tortura e sentenciados de morte pelo tribunal do tráfico.
Para completar a classificação dos atores do caso à luz da teoria freudiana, podemos ainda utilizar o conceito ‘figuras marcadas pela onipotência’, descritas por SAFATLE (2010 p. 45) cuja característica podemos associar aos traficantes que são o alvo do pastor: nestes a onipotência seria produto do poder paralelo constituído pelo crime organizado.
Outra classificação relevante que podemos propor é sobre o termo citado por Safatle (...) “[a soberania] não é fundadora de lei e regras. Ela é antes a certeza de que leis e regras poderão ser suspensas por um princípio de soberania. “Dessa forma, os líderes fascistas permitiriam a manifestação do ressentimento contra uma Lei que, em larga medida, fora compreendida como a repressão exigida pelo mais forte” SAFATLE (2010 p. 45). As regras e a lei são suspensas ou pelo menos desobedecidas pelo pastor Marcos Pereira em diversas situações, a contar: quando ele utiliza um baile funk para pregar, certamente que presencia o tráfico, a presença de crianças e outros delitos, se tornando cúmplice de diversos crimes que na qualidade de cidadão teria obrigação de denunciar (princípio previsto na Legislação Brasileira) e não o faz. Assim como presencia crimes de tortura tanto nas delegacias, presídios quanto nos tribunais do tráfico, e que também não denuncia. Além disso, podemos citar a suspensão da lei do crime, que prevê que todo estranho que presencie a ação do crime organizado seja executado, mas o pastor continua vivo, imune à punição do sistema formal de Leis assim como do sistema de leis imposto pelo crime.
Também podemos utilizar o conceito de ressentimento contra a lei do mais forte, citada por Safatle que podemos, por analogia, associar aos criminosos em questão: a Lei formal não sobe os morros das favelas, mas o crime organizado institui um sistema de leis e inclusive institui um ‘tribunal de exceção’ já citado anteriormente, que tem uma força infinitamente maior do que o sistema formal. Ou seja, a lei do mais forte, do qual podemos inferir ser a Lei do Estado, mais forte que seu cidadão, a repressão do poder policial, capaz de produzir o ressentimento naqueles que estão sujeitos a esta força e instituir um sistema mais repressivo ainda. Aqui também encontramos eco nas considerações de Safatle: “Esse ressentimento deve vir paradoxalmente associado à fascinação pela ordem, pela rigidez, pela segurança. Queremos ser o veículo da lei, mas que seu peso repressivo não caia em nossos ombros” SAFATLE (2010 p. 45). Encontramos a aproximação com o cenário analisado: o crime organizado possui suas próprias leis, condena severamente aqueles que a desobedecem assim como são inflexíveis:
Através de sua teoria do desamparo, Freud insistira em que as sociedades modernas estariam abertas ao retorno de figuras superegóicas de autoridade vindas na linha direta do mito do pai primevo ou que permitem a identificação com tais tipos ideais, que prometem a encenação de um lugar de excepcionalidade no qual a transgressão da lei é possível. SAFATLE (2010 p. 43-4). (sem grifo no original).
Ainda analisando os efeitos da liderança do pastor, encontramos a situação mais bizarra dentre as descritas pelos jornalistas e vídeos consultados, que é o fenômeno da hipnose ou comoção coletiva, onde podemos fazer uma analogia direta ao texto de Freud “Psicologia das massas e análise do eu”, quando este descreve o fenômeno do contágio e sugestionabilidade (capítulo II) ao classificar todo grupo como “extremamente crédulo e aberto à influência”, o que explicaria o efeito em cadeia do transe e desmaio das pessoas ao ouvirem a pregação do pastor. Freud, no mesmo capítulo, também explica a excitação do grupo promovida pelo pastor: “Inclinado como é a todos os extremos, um grupo só pode ser excitado por um estímulo excessivo. Quem quer que deseje produzir efeito sobre ele, não necessita de nenhuma ordem lógica em seus argumentos; deve pintar nas cores mais fortes, deve exagerar e repetir a mesma coisa diversas vezes.” Podemos enxergar tal efeito quando o pastor repete para o público, no baile funk, a mesma coisa: aleluia e glória a Deus.
Assim, podemos colorir o quadro com cores fortes, à moda Frida Kahlo, onde teremos nas tonalidades acentuadamente fúcsia um sujeito central que construiu sua fama e popularidade de forma estratégica, inicialmente em tons pastéis, com foco naqueles indivíduos relegados ao esquecimento (usuários de drogas e bandidos), coloridos em tons acinzentados, em seu próprio habitat (sarjetas e bocas de fumo), acirradamente enegrecidos, conferindo ao nosso protagonista ares de coragem e inovação, uma vez que é pouco comum a ação de religiosos em tais locais. Ainda temos, em nossa pintura de contornos bem nítidos, a construção de um método (que se consolidou em receita de sucesso) em tons alaranjadamente tímidos, de exercício de influência e poder sobre indivíduos em conflito com os princípios da lei formal, baseado na coragem, inovação e astúcia de um líder que ousa, com palavras de fé e uma acentuada dose de senso de oportunidade, arbitrar em cenário draconiano, em favor dos condenados. Acentuando os tímidos alaranjados que colorem o método do pastor, podemos concluir nossa pintura em tons agora berrantes, com cenas públicas de espetáculo, a condecoração do protagonista em herói público, defensor dos fracos e oprimidos (os desamparados), capaz até mesmo de conter a fúria de presos rebelados e domar multidões em êxtase, ao som de repetidas palavras de ordem: Hei! [brado em forma de tiro], tá [sic] amarrado em nome de Jesus (para salvar dos tribunais de exceção os réus), Aleluia e Glória a Deus (para conter a fúria da massa rebelada e instituir o êxtase religioso em indivíduos minimamente propensos à religiosidade).
Podemos nos valer do conceito freudiano de identificação para arrematar o contraste de cores da nossa pintura: os indivíduos que se submetem ao poder do pastor experimentam a sensação de se identificarem com este líder, pois assim ele se constituiu, como um deles, mas investido do poder de Deus, o que contribuiria para ampliar nossa compreensão do fenômeno da liderança que aquele desfruta entre seus simpatizantes e seguidores. Aqui está nossa obra de arte naif, um líder e seus liderados, um império religioso que se sustenta pela fama adquirida e sustentada pela comercialização em DVD dos espetáculos de conversão.
Para finalizar, podemos inferir que o poder e a autoridade do pastor Marcos Pereira podem ser analisado à luz da teoria freudiana sem prejuízo à compreensão, pois nela encontramos elementos que desmistificam o fascínio exercido pelo pastor nas massas, por se tratar de um grupo, o que talvez não fosse possível observar em indivíduos isoladamente.
Também tivemos a oportunidade de analisar outros aspectos da teoria social freudiana, como a necessidade que as massas têm de um líder que lhes preencha com amor o desamparo e suas contingências.
Além disso, foi possível compreender como é volátil o narcisismo, que se desloca do eu e passa a compor o ideal do mesmo eu personificado pelo líder, por aquele que é capaz de dominar uma multidão sem utilizar qualquer tipo de violência ou coerção, mas apenas na mobilização libidinal do medo e do desamparo.
2. Proposições finais
Seria um líder como o pastor, capaz de mobilizar as massas para uma tomada de poder da burguesia? Explico: um grupo moderno, como os fiéis de uma igreja, poderia ser convencido a invadir pela força propriedades privadas e se apoderar de bens particulares?
Supondo que a resposta à questão acima fosse afirmativa, que tipo de poder seria capaz de intervir? A intervenção seria pelo uso da força? Ao utilizar a força bélica, por exemplo, e dispersar um grupo coeso, seus membros isolados ficariam enfraquecidos? Ou seriam capazes de se reorganizarem para manter o status quo?
Diante do progresso da tecnologia (convém explicitar que a expressão não é uma referência à “visão cientifica do mundo” de Freud, é apenas uma inferência do senso comum) poderíamos seguramente concluir que o homem, móvel das evoluções científicas e tecnológicas, evoluiu do seu estado selvagem para o atual estado de civilização. Analisar cenários como o descrito neste trabalho assim como outras situações de barbárie da atualidade (holocausto, xenofobia, extremismos religiosos, etc.), compromete a conclusão simplista de evolução e permite inferir que o homem cercou-se de progresso e modernidade, mas permanece essencialmente subproduto das pulsões instintuais, assim como o era antes mesmo de ceder à civilização?
3. Referências Bibliográficas
SAFATLE, Vladimir. Freud como teórico da modernidade bloqueada. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, Núcleo de Educação Aberta e a Distância, 2010.
29.Jan.10 - 21:00
consultado em 04.Out.10
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Metodologia EAD em verso:
Os sofistas e seu entendimento
Fazendo a sua conferência.
Na difusão do conhecimento,
Demonstrando muita eficiência.
Sócrates, grande maestria
Com seu jeito e a “maiêutica”,
Dialogava todo dia,
Solucionando a problemática.
Lacan e o seu inconsciente.
A origem do ensino, a linguagem.
Tem o conhecimento presente.
No cartel é feito esta abordagem.
Jacotot e sua emancipação
Para a capacidade intelectual,
Não há necessidade de explicação.
Método útil no ensino-aprendizagem atual.
EAD, ensino de inclusão,
Sem o professor transmissor.
Da aprendizagem, a gestão.
Fazendo do aprendiz o autor.
Francisco Sepe da Costa
Rancière – Emancipando em EAD
Resumo: Rancière baseia-se na experiência do professor Joseph Jacotot em que “a palavra do mestre emudece a matéria ensinada” indicando a educação emancipadora em que o aluno toma ciência da sua capacidade intelectual, aprendendo pela tensão da sua vontade e pela própria inteligência. É essa a proposta de ensino e aprendizagem que a modalidade em EAD tem que alcançar.
Palavras-Chave: emancipação, desejo de aprender, EAD.
Link para o Texto integral: http://www.megaupload.com/?d=92GAHXSU
O modelo Socrático e a proposta da EAD
Resumo: O primeiro ponto da mestria de Sócrates traz uma inovação no conceito do aprendiz, pois não o trata como discípulo, mas como interlocutor, ou seja, traz a idéia do diálogo e não do ensino. E o que vem a ser o diálogo no método socrático é exatamente uma das características marcantes do seu método – dia: através de e logos: razão, palavra, discurso, ou seja: a busca pela razão através da palavra, algo que é feito a dois em cooperação.
Palavras-chave: Sócrates, Diálogo, EAD.
link para texto integral: http://www.megaupload.com/?d=7F21LW3T
Os sofistas, sabendo em EAD
Resumo: os sofistas deslocaram do eixo da pesquisa filosófica do cosmo para o homem. Este é o fato mais importante da realização dos sofistas. Assim, também em EAD há necessidade do descolamento do eixo do conceito do ensino-aprendizagem. Elaborando conceitos e significados que dêem uma identidade à modalidade em EAD, como por exemplo: aluno – na modalidade do ensino tradicional. Autor do saber – na modalidade em EAD.
Palavras-chave: Sofistas, difusão do conhecimento, EAD.
link para texto integral: http://www.megaupload.com/?d=QO5E9LEF
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Síndrome de Burnout – parte 02
Dando continuidade ao que Sepe iniciou num tópico abaixo, mais algumas informações referentes à síndrome de Burnout – nome pouco conhecido para um problema tão presente no cotidiano do nosso mundo pós-moderno.
“Segundo matéria apresentada na Revista “Psicologia, Ciência e Profissão”, Diálogos, uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil, entidade que estuda o estresse, apontou que cerca de 30% dos trabalhadores no País são vítimas do Burnout. Outro estudo, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, mostrou que 48% dos empregados na área sofrem com algum sintoma e 25% dos professores apresentam a síndrome completa.
Desde 1999, o Ministério da Saúde reconhece a síndrome como uma doença do trabalho. Na gíria inglesa, a palavra Burnout serve para explicar algo que deixou de funcionar por falta de energia. O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo “combustão”. Ou seja, a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço tanto no trabalho quanto em outras situações. Na saúde o termo é usado para definir um esgotamento físico e mental crônico causado pelo trabalho.
Os primeiros sintomas foram identificados pelo psiquiatra Herbert Freudenberg, ainda em 1970, em profissionais que lidavam com pacientes psiquiátricos. Um sentimento de fracasso e exaustão causado pelo excessivo desgaste de energia os atingiu, afastando-os das tarefas cotidianas.
A enfermidade acomete principalmente profissionais que lidam diretamente com pessoas. Nessa categoria estão incluídos professores, policiais e trabalhadores da saúde como médicos, enfermeiros, assistentes sociais e também os psicólogos, expostos a situações de extrema pressão, jornadas exaustivas, responsabilidade e frustração. Uma das explicações para que o Burnout seja mais comum em profissionais que cuidam de pessoas diz respeito à impotência, cobrança e frustração da vida diária. À exemplo, um professor, médico ou psicólogo recém-formado, motivado e com elevada expectativa, pode não encontrar na profissão o que esperava. Isso, associado à sensação de impotência, pode ser determinante para levar à síndrome. Os “workaholics”, pessoas aficcionadas pelo trabalho, também fazem parte desse grupo de risco, sugeitos a síndrome. As vítimas de Burnout podem manifestar agressividade, hostilidade e outros sentimentos que comprometem o convívio social e familiar.
Contudo, é importante saber que a síndrome é diferente do estresse. Este não tem necessariamente origem no trabalho e demanda medidas mais simples. Um bom período de férias pode, por exemplo, melhorar uma situação de estresse. No caso do Burnout, ao contrário, as férias tendem a piorar o quadro, pois o indivíduo se mantém ligado ao trabalho e sofre com a possibilidade de retornar. Portanto, é necessário fazer uma intervenção mais ampla com o apoio de médicos e psicólogos. O grande desafio da Medicina e da Psicologia, nestes casos, é diagnosticar e combater adequadamente o Burnout. Exames clínicos e testes psicológicos ajudam no diagnóstico. O tratamento, geralmente, é multidisciplinar e tem dupla abordagem, com o uso de fármacos e acompanhamento psicoterapêutico para melhorar a auto-estima. Também é necessária uma mudança na relação do paciente com o seu trabalho. Ele precisa reavaliar o espaço que essa atividade ocupa na sua vida e adotar hábitos mais saudáveis: dedicar mais tempo à família, ao lazer, ao esporte, a práticas religiosas e técnicas de relaxamento.
Cabe destacar, ainda, que um outro obstáculo a ser superado é o baixo investimento em programas voltados para a saúde do trabalhador. Apenas 5% das companhias oferecem programas de qualidade de forma regular a seus funcionários. Como se vê, falta muito o que fazer nesta área” .
Alessandro da Silva Guimarães
o momento
O MOMENTO
O real é o momento.
O ser é o momento.
Tempo presente. Pequeno espaço de tempo. Ocasião. Instante. O que efetivamente existe é o momento.
O senso prático é o momento.
O momento é o permanente.
No momento não há espaço para mudança.
No momento contempla-se o concreto, o real, o óbvio e, não se requer explicação por ser evidente, manifesto, patente.
O momento é axiomático, incontestável.
No momento não se permite dubiedade, a definição é a certa. As características são especificas de tal modo que não há confusão. O significado é exato. A verdade prevalece. Não existe a ação de tomar uma pessoa ou uma coisa por outra. Pois o que se vê é o que se sente, é o que se vive.
O momento é para ser explorado intensamente. Pois se o momento é de tristeza, o esforço é para transformá-lo em alegria, e se, é de alegria, o esforço é mantê-lo.
A importância reside na emoção do momento e na vivência do real.
No momento o medroso vira um corajoso e o covarde um herói, ou vice-versa.
Qualquer intenção de buscar o próximo momento é imaginação, ponderação futura, ficção, esperança, suposição, abstração e hipótese.
Presumir o próximo momento é formular uma figura como pressuposto de uma dedução e que tem apenas caráter transitório.
Presumir o próximo momento só na abstração, no estado de alheamento do espírito, na fuga da emoção e do real.
Ilustra-se essa presunção com o seguinte conto:
Um vizinho foi visitar o vizinho meio amalucado.
Bateu na porta e gritou: Tem alguém em casa?
O vizinho meio amalucado respondeu de dentro da casa: Não, não tem não.
O vizinho se viu em uma situação muito embaraçosa naquele momento, e numa doidice apegou-se ao abstrato e disse: Ainda bem que eu não vim!
Na aflição da alma, presumir o próximo momento, não resistindo a prática da curiosidade ou oímpeto da ansiedade, só pode ser feito de maneira teórica, como na aplicação da “teoria do máximo”, aplicada da seguinte maneira: No momento considera na conseqüência, a situação mais desfavorável, esperando o pior. E, explora o momento com o objetivo de alterar o que vier para que não se confirme a situação desfavorável considerada na “teoria do máximo”.
A “teoria do máximo” é a situação do momento futuro fundamentada em possibilidades de maneira hipotética.
Querer realizar hipoteticamente o próximo momento, com suposição que se faz acerca de uma situação possível ou não, é prejudicial aos ossos.
Nessa conceituação de momento, pode-se considerar:
- O desenvolvimento do comportamento vinculado ao momento anterior, o momento e o momento posterior.
- A elaboração do planejamento a curto, a médio, a longo prazo ou estratégico, não confunde-se com a presunção do momento.
- O momento ocorre no pessoal ou no coletivo, no particular ou no geral, no privado ou no público e, na parte ou no sistema.
FRANCISCO SEPE DA COSTA
O real é o momento.
O ser é o momento.
Tempo presente. Pequeno espaço de tempo. Ocasião. Instante. O que efetivamente existe é o momento.
O senso prático é o momento.
O momento é o permanente.
No momento não há espaço para mudança.
No momento contempla-se o concreto, o real, o óbvio e, não se requer explicação por ser evidente, manifesto, patente.
O momento é axiomático, incontestável.
No momento não se permite dubiedade, a definição é a certa. As características são especificas de tal modo que não há confusão. O significado é exato. A verdade prevalece. Não existe a ação de tomar uma pessoa ou uma coisa por outra. Pois o que se vê é o que se sente, é o que se vive.
O momento é para ser explorado intensamente. Pois se o momento é de tristeza, o esforço é para transformá-lo em alegria, e se, é de alegria, o esforço é mantê-lo.
A importância reside na emoção do momento e na vivência do real.
No momento o medroso vira um corajoso e o covarde um herói, ou vice-versa.
Qualquer intenção de buscar o próximo momento é imaginação, ponderação futura, ficção, esperança, suposição, abstração e hipótese.
Presumir o próximo momento é formular uma figura como pressuposto de uma dedução e que tem apenas caráter transitório.
Presumir o próximo momento só na abstração, no estado de alheamento do espírito, na fuga da emoção e do real.
Ilustra-se essa presunção com o seguinte conto:
Um vizinho foi visitar o vizinho meio amalucado.
Bateu na porta e gritou: Tem alguém em casa?
O vizinho meio amalucado respondeu de dentro da casa: Não, não tem não.
O vizinho se viu em uma situação muito embaraçosa naquele momento, e numa doidice apegou-se ao abstrato e disse: Ainda bem que eu não vim!
Na aflição da alma, presumir o próximo momento, não resistindo a prática da curiosidade ou oímpeto da ansiedade, só pode ser feito de maneira teórica, como na aplicação da “teoria do máximo”, aplicada da seguinte maneira: No momento considera na conseqüência, a situação mais desfavorável, esperando o pior. E, explora o momento com o objetivo de alterar o que vier para que não se confirme a situação desfavorável considerada na “teoria do máximo”.
A “teoria do máximo” é a situação do momento futuro fundamentada em possibilidades de maneira hipotética.
Querer realizar hipoteticamente o próximo momento, com suposição que se faz acerca de uma situação possível ou não, é prejudicial aos ossos.
Nessa conceituação de momento, pode-se considerar:
- O desenvolvimento do comportamento vinculado ao momento anterior, o momento e o momento posterior.
- A elaboração do planejamento a curto, a médio, a longo prazo ou estratégico, não confunde-se com a presunção do momento.
- O momento ocorre no pessoal ou no coletivo, no particular ou no geral, no privado ou no público e, na parte ou no sistema.
FRANCISCO SEPE DA COSTA
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Peidei... Saiu no Twitter – Passando do Real ao Virtual (alguns perigos)
Antes que você me indague sobre a bestialidade de escrever um texto que comece com “peidei”, penso a bestialidade com que a potência virtual da internet poderia ser usada de modos mais satisfatórios. Em migro-blogs, ou redes como facebook, ou ainda o Orkut, podemos nos conectar com redes de interesse, e gerar informações úteis para comunidades cada vez mais abrangentes. Todavia no que tem se tornado tudo isso? Comunidades geradas sobre informações inúteis ou errôneas, que degeneram sujeitos ou idéias, proliferam doenças ou preconceitos. Não sou um moralista, mas em um lampejo, pensemos as comunidades de Orkut sobre Anorexia e/ou Bulimia, em que meninas “ajudam-se” na manutenção da virtuose de suas patologias. Ou os sujeitos twitters que apenas falam do cotidiano em uma perseguição contínua de dar sentido a pequenos gestos narcísicos, como ir ao banheiro. Pedófilos agenciando menores, etc. Temeroso!
Em jogos como o Second Life, pessoas recriam suas realidades tornando-as, talvez menos penosas, mas a que preço? Talvez cindindo o real e o virtual, e, optando pela manutenção de um status quo virtual. Escutei certa vez, alguns alunos dizendo que ao entrarem no shopping o primeiro gesto seria o de ligar o Bluetooth para ver quem estaria lá. Não estaríamos proliferando a vida em fakes, máscaras contravertidas. Vivemos as odes tecnológicas, e quando bem utilizadas estas nos permitem a boa contaminação da informação na globalização de conteúdos, todavia, há que se perceberem as idiossincrasias pertinentes à patologização deste processo.
Hoje tenho 928 amigos de Orkut, e se você me perguntar quantos são meus amigos, não responderia com clareza, mas certamente o número giraria no entorno de um número menor a 20. Mas aceitei tantos indivíduos porque compreendo a necessidade de potencializar a rede de contatos com vigor. Existe, no entanto, o conhecimento desses “amigos” no estado real. E quantos são aqueles que apenas “adicionam” sem nada adicionar de fato.
Aproveitemos a tecnologia, mas atentos, observemos, os nexos que nos conectam ao real.
Abaixo deixo alguns links interessantes sobre alguns perigos das redes sociais:
Diemerson Saquetto
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Redes sociais na internet
(postado por melissa)
Há algum tempo venho sendo pressionada por colegas sobre minha abstinência orkutiana (?????), quer dizer, sempre tenho que responder perguntas do tipo: por que você não tem orkut? Já tive, em uma época em que era uma novidade americana, em 2004, mas cancelei por falta de tempo para responder e até mesmo checar meus recados...considero uma falta grave não responder um simples e-mail, quem dirá então um recado num site específico de relacionamento... prefiro relacionamentos reais e que não quero dispor do meu tempo criando um ser virtual que se alimenta de mensagens, recados, depoimentos...essas coisas. Não quero, é uma opção consciente e não uma resistência à tecnologia, pois me dou muito bem com ela.
Numa entrevista (http://super.abril.com.br/blogs/superblog/privacidade-esta-menos-importante-nas-redes-sociais-sera/) criador do Facebook Mark Zuckerberg fala que é o fim da moda da privacidade, baseado nas alterações que a referida rede social fez para atender as necessidades de seus usuários...
Não sou contra as redes sociais, elas são importantes e as pesquisas de um americano já começam a dar conta de que fazem bem à saúde (http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/redes-sociais-afetam-o-cerebro-do-mesmo-jeito-que-a-paixao/), aos negócios (http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=6924)... mas acredito que a privacidade não é uma ilusão que mereça ser desmistificada, ao contrário, deve ser preservada, se como mito, não importa, apesar de considerá-la um direito do qual não se deve abrir mão. Assim como acredito que as redes sociais não são a solução para a solidão, acredito que viver a maior parte do tempo em um mundo real, com amigos reais é muito mais importante e insubstituível...
(acabei de ser atropelada por uma dúvida: não tem corretor ortográfico no blog???...como assim????)
Há algum tempo venho sendo pressionada por colegas sobre minha abstinência orkutiana (?????), quer dizer, sempre tenho que responder perguntas do tipo: por que você não tem orkut? Já tive, em uma época em que era uma novidade americana, em 2004, mas cancelei por falta de tempo para responder e até mesmo checar meus recados...considero uma falta grave não responder um simples e-mail, quem dirá então um recado num site específico de relacionamento... prefiro relacionamentos reais e que não quero dispor do meu tempo criando um ser virtual que se alimenta de mensagens, recados, depoimentos...essas coisas. Não quero, é uma opção consciente e não uma resistência à tecnologia, pois me dou muito bem com ela.
Numa entrevista (http://super.abril.com.br/blogs/superblog/privacidade-esta-menos-importante-nas-redes-sociais-sera/) criador do Facebook Mark Zuckerberg fala que é o fim da moda da privacidade, baseado nas alterações que a referida rede social fez para atender as necessidades de seus usuários...
Não sou contra as redes sociais, elas são importantes e as pesquisas de um americano já começam a dar conta de que fazem bem à saúde (http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/redes-sociais-afetam-o-cerebro-do-mesmo-jeito-que-a-paixao/), aos negócios (http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=6924)... mas acredito que a privacidade não é uma ilusão que mereça ser desmistificada, ao contrário, deve ser preservada, se como mito, não importa, apesar de considerá-la um direito do qual não se deve abrir mão. Assim como acredito que as redes sociais não são a solução para a solidão, acredito que viver a maior parte do tempo em um mundo real, com amigos reais é muito mais importante e insubstituível...
(acabei de ser atropelada por uma dúvida: não tem corretor ortográfico no blog???...como assim????)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
A Ilusão é mesmo Ilusão ou um Sentido Ideológico? – Em defesa da Tolerância e de uma Sociedade do Conhecimento também Marxista
Quando escutei pela primeira vez a música Ideologia do Cazuza, não entendia o que se passava comigo para além dos tons musicais que me careciam em rock. Minha professora de português do Ensino Médio gostava muito de apresentar-nos os por menores que a Ditadura queria esconder. Era o Cálice em cale-se. Era a Roda Viva. Era o Confia em mim no FMI. Era o mostra a sua cara, e a piscina cheia de ratos. Enfim era a tal da Ideologia me martelando, me tocando, me puxando para tons de vermelho que certo Getúlio colocou na cabeça de minha avó ser praga certa que me colocaria dentro do carro preto. A tal da Ideologia capitalista que me enganará com seus comerciais marketeiros e me imputara a égide do consumo.
Comecei a ver um mundo completamente diferente depois que conheci Marx. Não faço aqui aquelas apologias apaixonadas, como que defendendo uma teoria, estaria defendendo uma banda de rock e usando as camisas identitárias como segunda pele. Mas sim, aprendi muito com a luta dos outros, em um tempo de tão poucas lutas e certa apatia desajeitada no ar. E mesmo consumindo os produtos do capitalismo consigo ver de uma forma mais responsável aquilo que me cerca. E neste ver melhor, ainda míope é bem verdade, lutar por certos ideais como a solidariedade, e assim a distribuição mais igualitária de comida, bebida, pasto, postos de serviço, terra, justiça e, quiçá, senhor Newton Duarte, de um pouco de conhecimento.
Sempre fui um crítico assíduo de certas pedagogias, principalmente aquelas que mexiam com as minhas preguiças docentes. Mas ali, naquelas pedagogias que sempre criticara é que eu mais crescia. Até com erros grosseiros de pedagogas que queriam inventar a roda, mas que nos – a nós professores – imputavam a forma do quadrado. Os projetos educacionais são bons aliados, quando nos incitam a experimentar, nos questionam, nos desinstalam. Para alunos e professores é bom avançarmos em práticas de aprendizagem que criam maneiras de gestar conhecimento para além do currículo – este sim muito perigoso quando entendido de maneira ingênua. O educando que aprendeu a aprender educa-se na vida, lendo a cultura, absorvendo de maneira críticas os conteúdos curriculares, e unindo tudo isso, transformando informação em conhecimento.
Aposto nos conteúdos clássicos como uma maneira de balizar o conhecimento, no entanto. Desculpem-me por não ser um entusiasta completo do “aprender a aprender”, pois acredito que a crítica da cultura somente é possível quando se conhece a cultura. Neste ponto de equilíbrio é que começo minha crítica ao senhor Newton Duarte. Considero válido o marxismo como argumento hermenêutico, no entanto, o mesmo marxismo nos apresentou um Marx profundamente conhecedor da realidade capitalista e via esta realidade como passível de transformação. Confundir Perrenoud com uma prática alienante e de adaptação ao mundo ruim, (o que criaria sujeitos acríticos e pacatos, inevitavelmente) é o mesmo que infligir tal crítica a Paulo Freire. O conhecimento significativo é aquele que permite o conhecimento integral da realidade circundante, e não “apenas” as competências adaptativas da realidade. As sínteses dialéticas que ocasionam as transformações radicais são apenas possíveis quando se conhece significativamente a tese contextual. Marx conheceu profundamente o capitalismo circundante para criticá-lo. E não adianta apenas mostrar bananas para alfabetizar uma criança como nas clássicas “Ivo viu a uva”, mas permitir o acesso do aluno às frutas.
A sociedade do conhecimento, não é, assim, apenas uma função ideológica, que cumpriria o papel “amansador” do capitalismo. Mas a égide que não nos fez cair na barbárie dos desconsolos. Quando os humanismos prometedores caíram às questões que suscitaram à sociedade do conhecimento eram então garantias mínimas da tolerância e da humanização. As questões ditas “atuais” são tão necessárias quanto à necessidade de se lutar por um mundo melhor. Todavia, porque dizer que os direitos civis são marginais ou criadores de ilusões?
Com isso teria me tornado um “professor iludido” por acreditar na subjetividade, na necessidade da cultura, na democratização do conhecer? Seria um iludido por acreditar em uma História do poder a partir das mentalidades? Jogar-me-ía no lixo como docente, então? Marx ao dizer: “conclamar as pessoas a acabarem com as ilusões acerca de uma situação é conclamá-las a acabarem com uma situação que precisa de ilusões” não nos aportou com o materialismo de todo da ideia. Quero o concreto, mas é possível viver sem ideologias? Resposta de Hume ao cartesianismo: “Se devemos ser sempre presas de erros e ilusões, preferimos que sejam pelo menos naturais e agradáveis”. É... um dia eu ouvi Cazuza...
Diemerson Saquetto
domingo, 4 de julho de 2010
Burnout
BURNOUT
Burnout é a sídrome da estafa profissional.
Carcterísticas:
-Exaustão emocional
-Despersonilização
-Redução da realização pessoal
-Vazio interior
-Reinterpretação dos valores
-Recolhimento
-Sentimento de incompetência
Sintomas:
-Dores de cabeça
-Tonturas
-Tremores
-Muita falta de ar
-Oscilações de humor
-Disturbio do sono
-Problemas digestivos
Atitudes que podem amenizar os efeitos da sídrome da estafa profissional (Burnout):
-Planejar o tempo de cada atividade
-Obedecer oa horários de alimentar (almoço/lanche/jantar) e dormir
- Aceitar e atender as diversas solicitações do corpo (emocional, fisíco ou fisiológico)
Por exemplo:Caso acorde de madrugada, levante, beba água devagar e ouça uma boa música com a luz apagada.
-Converse consigo mesmo, mencionado o seu nome ou o seu apelido, com comandos de voz suave,tais como:
.Calma
.Tenha paciência
.Não corra
.Dê sua vez a outro
.Eu me amo
-Peça desculpa. Diga obrigado. Peça licença. Peça por favor. Diga bom dia/boa tarde/boa noite.
-Pratique a solidariedade, compromisso voluntário com o outro sem querer nada em troca. Existem outros em situação
pior que a sua.
-Não presumir o dia de amanhã.
-Buscar ajuda de um médico, se necessário.
Burnout é a sídrome da estafa profissional.
Carcterísticas:
-Exaustão emocional
-Despersonilização
-Redução da realização pessoal
-Vazio interior
-Reinterpretação dos valores
-Recolhimento
-Sentimento de incompetência
Sintomas:
-Dores de cabeça
-Tonturas
-Tremores
-Muita falta de ar
-Oscilações de humor
-Disturbio do sono
-Problemas digestivos
Atitudes que podem amenizar os efeitos da sídrome da estafa profissional (Burnout):
-Planejar o tempo de cada atividade
-Obedecer oa horários de alimentar (almoço/lanche/jantar) e dormir
- Aceitar e atender as diversas solicitações do corpo (emocional, fisíco ou fisiológico)
Por exemplo:Caso acorde de madrugada, levante, beba água devagar e ouça uma boa música com a luz apagada.
-Converse consigo mesmo, mencionado o seu nome ou o seu apelido, com comandos de voz suave,tais como:
.Calma
.Tenha paciência
.Não corra
.Dê sua vez a outro
.Eu me amo
-Peça desculpa. Diga obrigado. Peça licença. Peça por favor. Diga bom dia/boa tarde/boa noite.
-Pratique a solidariedade, compromisso voluntário com o outro sem querer nada em troca. Existem outros em situação
pior que a sua.
-Não presumir o dia de amanhã.
-Buscar ajuda de um médico, se necessário.
domingo, 20 de junho de 2010
Avaliação
Texto sugerido para o blog pela tutora Izabel.
AVALIAÇÃO
Avaliação é o momento em que o aluno tem que revelar o seu conhecimento do conteúdo da disciplina exposto por quem um dia também foi aluno, o professor.
Professor que ainda continua se aprimorando no conhecimento desse conteúdo.
Avaliação é um momento de aprendizagem.
A avaliação para o aluno é a prova do seu conhecimento e para o professor o fruto do seu trabalho.
A avaliação confirma o ensino-aprendizagem.
É o professor que sabe a disciplina, para a qual graduou, e ensina ao aluno que a aprenderá e moldará o ensino recebido, na reflexão do seu conhecimento e bagagem cultural e social já adquirido dentro e fora da escola.
A avaliação é o momento em que o aluno, dentro daquilo que ele aprendeu nas aulas expositivas, teóricas e práticas dadas pelo professor, e do seu estudo particular, revela o seu aprendizado da disciplina.
A avaliação pode ser diagnostica, além das avaliações tradicionais tais como: a prova escrita, oral, trabalhos e seminários, exercícios intra e extraclasse.
A percepção do professor dos alunos interessados, participativos, os que aprenderam pouco, mais ou menos ou muito, pode substituir uma avaliação dada de forma tradicional.
O professor tem total liberdade na forma de realizar a avaliação, pois em alguns casos a avaliação tem que ser diferenciada de aluno por aluno.
Até uma pergunta que o aluno faz, inteligente ou não, serve de avaliação.
Mesmo como o aluno preparou uma cola serve de avaliação, pois no preparo da cola ele estava estudando.
O aluno aprende o conteúdo da disciplina quando:
- o professor expõe o conteúdo,
- o aluno pratica na sala de aula (escrita, oral ou silenciosa)
- o aluno pratica na extraclasse (trabalhos, estudo particular ou atividades).
A avaliação só é importante se está ligada ao ensino-aprendizagem, sobre tudo para as praticas da vida.
As grandes descobertas só foram possíveis com o ensino-aprendizagem voltado para o interesse da relação com as ações da vida.
O ensino-aprendizagem é identificado por:
- proporcionar a auto compreensão,
- motivar o crescimento.
Francisco Sepe da Costa.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Considerações sobre o texto da Atividade 2
O Sepe que é diretor de escola entende que: no texto menciona-se uma crítica ao construtivismo, focalizando o aprender a aprender e a sociedade do conhecimento, em contrapartida a sociedade consumista. Ele finaliza o texto com cinco ilusões não contempla a realidade da educação.
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